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Cavaleiros V – Por Terras do Vizir

    A manhã estava a prometer...chuva, muita chuva, mas os Cavaleiros não se deixaram intimidar e ás oito e meia, vinte e um bravos todo-o-terreno com as respectivas tripulações estavam prontos para atacar terras árabes e consolidar a presença portuguesa no Alentejo.

    Como manda a tradição, o primeiro acampamento foi na sempre nobre e leal Área de Serviço de Palmela. Daí a cavalaria lusitana marchou para a primeira conquista: Alcácer do Sal. Passando pela Herdade do Pinheiro, onde tiveram oportunidade de observar inúmeros patos bravos, na verdadeira acepção da palavra, e outras não menos nobres aves aquáticas.

    Os caminhos eram rolantes e São Pedro, apercebendo-se de tão nobre cavalaria, abençoou-os com raios de sol que foram afastando as ameaçadoras nuvens para outras paragens. Alcácer estava perto, mas para lá chegar, tinham os Cavaleiros de enfrentar a primeira tarefa, a sempre temível especial de regularidade com os seus 4 km á impressionante média de 51, (vírgula) qualquer coisa Km/h.

    Alcácer estava conquistada e os festejos começaram com um pequeno banquete em forma de pequeno-almoço junto ao rio Sado que serviu para retemperar as forças deste grupo, cada vez maior, de amigos.

    Ainda faltava muito para esta missão estar terminada. A próxima terra a conquistar era Grândola, essa vila morena cheia de fraternidade.

    O caminho apresentava-se cada vez mais difícil, os Cavaleiros estavam a ser postos à prova por demónios em forma de subidas de areia solta. Corajosos e unidos lá foram avançando pelos areais numa luta contra o tempo e a fome, já passava mais de 45 minutos desde a última refeição e Grândola ainda não estava à vista!

    O acantonamento fez-se às portas da vila, como sinal de amizade e reconhecimento pelo acto heróico de tão valoroso grupo de cavaleiros, foi servido um almoço comemorativo de mais uma terra libertada aos “infiéis”.

     A etapa que se seguia era longa e antes de abandonar Grândola os Cavaleiros tiveram a primeira baixa desta tarefa, uma das donzelas que acompanhava o seu valoroso Cavaleiro sentiu-se indisposta e foram obrigados a abandonar a caravana e procurar auxílio médico. Felizmente no dia seguinte à aventura a donzela estava recuperada da enfermidade.

     O terreno mudou, agora estavam embrenhados em plena serra com caminhos estreitos e sinuosos. A coberto dos sobreiros foram avançando sem que alguém os encontrasse. A progressão no terreno era mais demorada, mas continuava inexorável. Todos sentiam que mais um momento de decisão estava próximo: a especial de trial! Os Cavaleiros que se juntavam ao grupo pela primeira vez estavam expectantes, os outros já sabiam que não havia nada a temer. Mais uma vez foi dado o toque a reunir, cada Cavaleiro mostrou a sua habilidade e valentia na passagem dos obstáculos a enfrentar.

    Após mais uma prova passada, todos sentiam que esta tarefa estava a caminhar para o final e a confiança era maior que o cansaço.

    Os Cavaleiros avançavam direitos à costa quando contra todas as expectativas algo de terrível aconteceu: um dos Cavaleiros do distante Porto que se tinham juntado ao grupo sofreu uma avaria no seu carro! Felizmente que os Cavaleiros têm um mecânico oficial que tratou como pôde a mal fadada viatura e lá seguiram por estrada para o destino final desta aventura.

    As desventuras não ficaram por aqui, um dos bravos teve múltiplos furos na sua Pick-up, valendo-lhe a proximidade de povos que lhe são leais para poder continuar a sua tarefa.

    Um a um, os bravos resistentes foram chegando a terras altas de onde se vislumbrava o porto de Sines e cabeços vizinhos cheios de moinhos gigantes. O vento trazia a ameaça da chuva e os últimos frios do dia. O sol estava a iniciar a sua descida para o oceano e ao longe apareciam outros veículos de todo-o-terreno, que ninguém sabia quem eram e o que andavam a fazer. Mas o motivo que tinha levado os Cavaleiros a estas paragens era a sua última prova: a aceleração travagem.

    Esta foi sendo cumprida à medida que os Cavaleiros iam atingindo o acampamento. Todos tiveram oportunidade de se refrescar e recuperar forças com bebidas frescas e iguarias previdentes. Havia já quem não se lembrasse da última vez que vira comida, talvez fosse há mais de duas horas!

    A caminhada para o litoral estava feita, Porto Côvo estava conquistado! Como a resistência foi nula, os Cavaleiros seguiram para o Forte do Pessegueiro. Não houve paragem nesta fortaleza, pois o sol já se tinha posto e os caminhos não tardavam a ficar escondidos pelo breu da noite que se adivinhava.

    Só a conquista de Vila Nova de Milfontes deixou os Cavaleiros saciados de aventuras. Carros parados, corpos refrescados, mesa posta e venha o banquete

    O jantar foi seguido da cerimónia protocolar de entrega de medalhas comemorativas e de reconhecimento pelos serviços prestados por todos os presentes e pela entrega de prémios aos primeiros classificados nas três provas pelas quais todos passaram, mas alguns se destacaram de entre iguais.

    Acabado o momento solene, tiveram início os festejos pagãos com a comemoração de mais um aniversário dos Cavaleiros Paulo Fortes e Hugo Guerreiro. Durante os festejos foi sacrificado o busto de uma virgem, chamada Bolo de Aniversário. O champanhe correu à farta e a fanfarra não parou de tocar. O acompanhamento musical foi da incumbência do trovador Vítor Mendes, que por tão altos serviços prestados às confraternizações dos Cavaleiros, foi proposta a sua condecoração com as insígnias de Cavaleiro da Ordem Musical.

    Despeço-me de todos com um grande abraço.

Pedro Tavares*

*Cavaleiro do Conforto

 

FICHA TÉCNICA

DATA                  29 de Outubro de 2005
HORA                  08:30
LOCAL
                ZONA DE SERVIÇO DE PALMELA da A.E.2            
DISTÂNCIA          +/- 200Kms
navegação        Road-Book
RELEVO               Pouco acentuado
Tipo de piso      Areia, terra batida e alguma lama
PAISAGEM           Boa
DIFICULDADE
      Baixa

MAPA DO PERCURSO

 

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